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Entrevista5 min de leitura

Athirson revela depressão após venda

Por Thiago Andrade

Athirson revela depressão após venda pelo Flamengo; ex-lateral afirma que sofreu ao ver o clube mover ação contra ele.

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Ex-jogador sozinho em estádio vazio ao entardecer, contrato amassado na mão, cabisbaixo — simboliza depressão após venda e processo do clube.

Athirson diz ter vivido depressão após venda pelo Flamengo

O ex-lateral Athirson afirmou em entrevista publicada na quinta-feira (29) que sofreu depressão após ser vendido pelo Flamengo. Segundo o jogador, o ponto mais doloroso foi o fato de o clube ter movido uma ação contra ele relacionada a um direito que detinha.

"Hoje, olhando tudo que aconteceu, eu tive depressão. Foi o momento mais triste: o clube que você ama está entrando com processo contra você pelo direito que você tinha", disse Athirson na entrevista.

A declaração veio acompanhada de críticas à condução do caso por parte de pessoas da direção do clube. Athirson disse que a forma como o episódio foi tratado prejudicou sua carreira em um momento de evolução profissional.

Venda à Juventus e ofertas rejeitadas

Athirson recordou que a transferência para a Juventus-ITA só ocorreu depois de o Flamengo rejeitar propostas de clubes europeus. Ele citou especificamente uma proposta do Barcelona-ESP, recusada pela direção rubro-negra no auge do interesse pelo jogador.

O período das negociações ocorreu entre o fim de 1999 e o início de 2000. Segundo Athirson, as ofertas rejeitadas na época somavam dezenas de milhões de reais. O contexto foi marcado por crise financeira no clube, com salários de jogadores e funcionários atrasados.

Trajetória e números do jogador

Revelado nas divisões de base do Flamengo, Athirson teve três passagens pelo clube. Pelo futebol brasileiro e internacional, acumulou convocações pela Seleção Brasileira: disputou cinco partidas pela equipe principal. Entre torneios, esteve no Mundial Sub-20 de 1997, na Copa das Confederações de 1999 e nas Olimpíadas de 2000.

Hoje, Athirson atua como comentarista da Flamengo TV.

Trechos destacados da entrevista

  • "Hoje, olhando tudo que aconteceu, eu tive depressão." (sobre o período após a venda)
  • "Foi o momento mais triste: o clube que você ama está entrando com processo contra você pelo direito que você tinha." (sobre a ação movida pelo Flamengo)
  • "Não. Eu poderia ter brigado por três Copas do Mundo, poderia ter sido campeão do mundo. Não é a entidade Flamengo, são os seres humanos." (sobre o impacto na carreira e a responsabilidade de pessoas envolvidas)

Contexto: crise financeira e decisões da diretoria

O depoimento de Athirson coloca em evidência o cenário financeiro do Flamengo no final dos anos 1990. Ele relatou que, naquele período, o clube vivia uma crise que resultou em atrasos de salários de jogadores e funcionários. Mesmo com a necessidade de recursos, a diretoria teria recusado ofertas importantes do mercado europeu antes de aceitar a venda à Juventus.

A venda, portanto, não ocorreu de forma imediata diante das propostas recebidas. Athirson atribuiu parte do dano à forma como o caso foi conduzido por pessoas da direção, e não à instituição Flamengo em si.

Análise de impacto para o Flamengo

As declarações do ex-jogador abrem questionamentos sobre decisões administrativas tomadas em um momento crítico. Segundo Athirson, a recusa a propostas e a posterior ação judicial tiveram efeito direto sobre a carreira de um atleta revelado pelo clube. Isso implica possíveis custos esportivos e reputacionais para o Rubro-Negro, na percepção pública de como talentos da base são geridos.

A narrativa do jogador também destaca um conflito entre a necessidade financeira do clube e a gestão das negociações. Se as ofertas citadas somavam "dezenas de milhões de reais", a recusa dessas propostas em contexto de crise sugere decisões que merecem análise histórica por parte da diretoria e da torcida.

Além disso, o episódio de uma ação movida pelo clube contra um atleta formado na base pode reverberar na relação entre futuras gerações de jogadores e a instituição. Para um clube que depende da formação de novos talentos, percepções negativas sobre o tratamento de atletas têm potencial para afetar confiança e imagem.

Consequências pessoais para Athirson

Athirson foi enfático ao relacionar o episódio com perda de oportunidades. Ele afirmou que poderia ter disputado até três Copas do Mundo e chegado a ser campeão do mundo, caso sua trajetória não tivesse sido interrompida pelo episódio. O jogador prendeu a crítica aos "seres humanos" que tomaram as decisões, lamentando a falta de reconhecimento de erros por parte dos responsáveis.

Conclusão editorial

O relato de Athirson expõe um capítulo delicado da relação entre jogador e clube. Há elementos objetivos: negociação frustrada com clubes europeus, venda à Juventus-ITA, crise financeira com atrasos salariais e uma ação judicial por direitos. Há também o testemunho pessoal de uma depressão e da convicção de que sua carreira foi prejudicada.

Do ponto de vista do Flamengo, as informações convidam a reflexão sobre práticas de gestão de ativos formados na base e sobre o equilíbrio entre necessidades financeiras imediatas e preservação do desenvolvimento esportivo de jovens talentos. Para a narrativa pública, as declarações de Athirson reforçam a complexidade das decisões administrativas e seus efeitos humanos.

Fonte: NETFLA — https://netfla.com.br/noticias/athirson-diz-que-teve-depressao-apos-ser-vendido-pelo-flamengo

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Fonte:NETFLA

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