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Análise8 min de leitura

Flamengo: semelhança de uniformes com Nürnberg

Por Thiago Andrade

Novos uniformes do Nurnberg reproduzem traços das camisas do Flamengo de 2017 e 2019 — entenda a semelhança entre a terceira e a versão branca.

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Ilustração editorial de duas camisas semelhantes — uma rubro-negra e outra branca com blocos vermelhos — em túnel de estádio, destacando similaridade de uniformes.

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Semelhança imediata entre os uniformes do Nürnberg e os mantos rubro-negros

O anúncio dos novos uniformes do 1. FC Nürnberg para a temporada 2026/27 provocou uma reação imediata entre os torcedores do Flamengo: a terceira camisa e a versão branca do clube alemão reproduzem, em linhas e paleta, elementos centrais dos modelos usados pelo Rubro-Negro em 2017 e 2019. A identificação não se limita a uma coincidência cromática; trata-se de uma reprodução de lógica visual — blocos de cores, faixas horizontais e acabamento nas mangas — que remete de forma clara aos mantos que hoje carregam forte valor simbólico para a torcida do Mengão.

O terceiro uniforme do Nürnberg utiliza base vermelha interrompida por uma faixa horizontal preta que ocupa boa parte do peito, mangas inteiramente escuras e gola careca com acabamento preto. A marca registrada das três listras da Adidas surge em vermelho sobre os ombros. Esses elementos, combinados, evocam imediatamente a camisa do Flamengo de 2017, considerada pela publicação uma das produções mais bonitas da fornecedora desde o início da parceria com o clube.

Diferenças formais e adaptações no desenho

Embora a impressão geral seja de familiaridade, a peça alemã não é uma reprodução idêntica. As diferenças apontadas incluem a centralização dos símbolos na versão do Nürnberg — logotipo da fornecedora acima do escudo e patrocinador posicionado abaixo — em contraste com a configuração tradicional do Flamengo, que apresentava monograma de um lado e marca esportiva do outro. Na manga, o modelo rubro-negro tinha um detalhe vermelho na extremidade que não foi mantido pelo clube alemão, que optou por manter toda a região em preto. A costura também exibe pequenas variações.

Essas alterações incidem sobre a organização frontal e acabamentos, mas não anulam a aproximação visual: a mesma lógica de blocos cromáticos está presente, criando uma associação que, para quem acompanha a produção da Adidas no Flamengo, se lê como uma releitura alemã do manto de 2017.

A camisa branca de 2019 e sua carga simbólica

A semelhança entre clubes se aprofunda com a versão reserva do Nürnberg, que utiliza base branca com faixas horizontais em vermelho e preto na região superior do peito e detalhes nas mangas que dialogam com o uniforme reserva do Flamengo de 2019. As distinções, segundo a transcrição, aparecem na espessura das linhas, no prolongamento das três listras pelos ombros e no formato da gola: enquanto o modelo do Flamengo concentrava os detalhes na parte superior, o desenho do Nürnberg distribui algumas faixas por uma área maior.

Além do aspecto gráfico, há diferença de identidade visual entre as versões da Adidas: o clube alemão empregou o Trefoil, conferindo caráter retrô à camisa, enquanto o Flamengo, em 2019, vestia o logotipo Performance, adotado pela fornecedora em grande parte de seus uniformes daquela época. E mais relevante do ponto de vista simbólico, a camisa reserva de 2019 do Rubro-Negro está associada a um momento esportivo que se tornou referência recente: foi com aquele uniforme que Gabigol marcou no Beira-Rio durante a campanha da Libertadores, em uma temporada histórica que terminou com as conquistas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. Essa memória torna a peça flamenguista portadora de emoção e significado que nenhuma reprodução pode transferir integralmente.

Contexto da política de design da Adidas: famílias de templates e reaproveitamento

A publicação destaca um aspecto estrutural do mercado de uniformes: a Adidas costuma trabalhar com famílias de templates e reaproveitar conceitos entre clubes, seleções e temporadas. Essa prática tem fundamentos práticos e comerciais claros — redução de custos de desenvolvimento, adaptação de modelos já testados e exploração de referências que tiveram boa aceitação comercial. No curto prazo, isso representa eficiência para a fornecedora; no médio prazo, pode ser interpretado como uma estratégia deliberada de padronização de produtos que visa escalabilidade e retorno comercial.

Por outro lado, a repetição de soluções visuais traz um problema de identidade. Quando modelos que geraram grande identificação em um clube são reutilizados em outro, corre-se o risco de diluir a singularidade do manto original e transformar peças históricas em itens visualmente intercambiáveis. No caso do Nürnberg, a publicação reconhece que o resultado é esteticamente coerente com as cores do clube alemão, mas para o torcedor flamenguista a sensação é a de observar uma releitura de um manto lançado nove anos antes — o que reforça a ideia de que o Flamengo funciona como laboratório e vitrine para a Adidas.

Implicações para o Flamengo: identidade, memória e mercado

A questão posta pela semelhança entre os uniformes tem consequências múltiplas para o Rubro-Negro. Em termos de imagem, há uma tensão entre a força simbólica do manto original — construído por gols, conquistas e momentos, como a conquista do Campeonato Brasileiro e da Libertadores em 2019 — e a circulação desses elementos em outros mercados. A camisa de 2019, em particular, deixou de ser um simples produto estético para se tornar um artefato histórico associado a uma temporada que o texto descreve como a mais marcante desde a geração de 1981.

Comercialmente, o Flamengo possui uma torcida numerosa e uma capacidade de mercado que, segundo a transcrição, transforma os seus uniformes em referências globais. Isso confere ao clube um papel de vitrine: modelos que têm boa aceitação no Brasil podem retornar, com ajustes, em outras partes do mundo. Essa visibilidade potencializa receitas, mas também expõe o patrimônio simbólico do clube à reutilização por parte da fornecedora.

Culturalmente, a circulação de desenhos pode reduzir o valor de exclusividade que setores do torcedor atribuem ao manto. Uniformes que passam a aparecer em clubes de outra nacionalidade, mesmo com diferenças, podem ser percebidos como menos únicos. Ao mesmo tempo, a publicação reconhece que a versão do Nürnberg não carrega a história que tornou a peça flamenguista tão reconhecida; a camisa do Rubro-Negro continua a ser carregada de memória que não se transfere automaticamente para outra camisa com grafismo similar.

Perspectivas e cenários futuros: continuidade do padrão e percepções do torcedor

Com base na própria lógica apontada no texto — famílias de templates e reaproveitamento de conceitos pela Adidas —, é razoável projetar que casos semelhantes podem se repetir. A circulação de referências entre mercados não é inédita: a empresa já adaptou modelos entre clubes e seleções, ajustando cores, golas, grafismos e templates para públicos distintos. O Flamengo, por seu tamanho e força comercial, tende a continuar funcionando como laboratório para a fornecedora, com seus modelos servindo de base para variações globais.

Do ponto de vista da percepção, o artigo sublinha uma dinâmica importante: a avaliação de um uniforme muda ao longo do tempo. Modelos inicialmente rejeitados podem ganhar valor histórico se associados a títulos, jogadores ou momentos significativos; outros, aprovados de início, podem desaparecer sem deixar marca. Isso significa que a repercussão da semelhança dependerá da capacidade do Flamengo de continuar construindo memórias que reforcem o valor dos mantos originais. A apropriação estética por outro clube não apaga o componente emocional que liga o torcedor do Rubro-Negro àquelas camisas.

No campo comercial, persistir com a estratégia de reaproveitamento pode ser vantajoso para a Adidas em termos de custo e velocidade de lançamento. Para o Flamengo, a consequência prática pode variar: se a adesão da torcida aos produtos oficiais se mantiver forte, o clube continuará a se beneficiar da vitrine global; se houver percepção de perda de exclusividade ou de cópia, isso poderá afetar a narrativa de valor dos lançamentos e, a longo prazo, influenciar a relação entre clube, fornecedora e torcida.

Análise crítica final: entre eficiência industrial e proteção da identidade

A ocorrência descrita pelo Ser Flamengo exemplifica um dilema contemporâneo no mercado de material esportivo: a tensão entre a eficiência industrial — representada pelo reaproveitamento de templates — e a necessidade de preservar singularidades identitárias que são centrais para a cultura de clubes com torcidas massivas. A decisão da Adidas de aplicar conceitos já testados em outro mercado tem lógica comercial clara, mas recai sobre um bem imaterial importante para o torcedor: a exclusividade simbólica do manto.

O episódio também evidencia como o tempo e os eventos esportivos reforçam o valor de um uniforme. A camisa branca de 2019 do Flamengo não é apenas um desenho; é um marcador histórico de uma temporada que culminou com título nacional e continental, e que tem momentos específicos — como o gol de Gabigol no Beira-Rio — que ancoram memórias coletivas. Qualquer reprodução pode ser tecnicamente adequada e atraente no plano estético, mas continuará a carecer daquela história compartilhada.

A conclusão que se impõe é dupla e equilibrada: por um lado, é legítimo e compreensível, do ponto de vista da indústria, que a Adidas reutilize soluções que funcionaram comercialmente; por outro, a repetição exige prudência para não reduzir a identidade dos clubes a templates intercambiáveis. Para o Flamengo, a vigilância maior deve ser na manutenção do vínculo entre manto e memória — porque é esse vínculo que confere ao uniforme um valor que transcende o tecido e a estampa.

Fonte: Ser Flamengo — https://serflamengo.com.br/nurnberg-lanca-camisas-semelhantes-aos-uniformes-do-flamengo-de-2017-e-2019/

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