Bap projeta 2027 difícil e anunciou postura ultraconservadora
O Flamengo vai adotar postura ultraconservadora na primeira janela de transferências, segundo projeção apresentada por Bap em reunião na Gávea. A previsão financeira para 2027 foi classificada como mais difícil. A diretoria também revisou as contas de 2026 e confirmou que o clube deve encerrar o ano no vermelho.
Revisão orçamentária e reação da Comissão de Finanças
A revisão das contas reduziu a previsão orçamentária de R$ 180 milhões positivos para R$ 40 milhões negativos. A diferença é de aproximadamente R$ 220 milhões. A Comissão Permanente de Finanças orientou que o clube gaste menos e venda mais para equilibrar o caixa.
Entre as receitas que não se concretizaram, a diretoria citou a venda de Plata, a negociação dos direitos de nome do Maracanã e a suspensão do patrocínio master do clube.
Em nota oficial, o Flamengo afirmou que os índices de endividamento continuam em níveis confortáveis e apresentou números de alavancagem:
"A relação entre a dívida e a capacidade de gerar caixa, chamada de alavancagem, está em 1,2x comparada ao EBITDA recorrente, abaixo do registrado em dezembro de 2024, quando o índice era de 1,8x. (...) Na prática, isso significa que o Flamengo seria capaz de quitar toda a sua dívida em cerca de um ano e alguns meses apenas com o caixa gerado pela operação, sem depender de receitas extras."
Plano de vendas: meta em euros e critérios esportivos
Como parte do plano para ajustar as contas, Bap anunciou que o Flamengo pretende arrecadar entre 40 e 45 milhões de euros com vendas. Na cotação atual, esse montante corresponde a R$ 238 milhões a R$ 267 milhões.
A diretoria prevê não negociar jogadores que possam ter impacto esportivo imediato no time. Mesmo assim, a meta de vendas será buscada para recompor o caixa.
Negociações recentes e reconhecimentos de erro
Na última janela, o atacante Wallace Yan foi negociado com o Bragantino por 6 milhões de euros, valor equivalente a R$ 35,5 milhões. O clube paulista havia oferecido inicialmente 10 milhões de euros, ou cerca de R$ 62 milhões na época. Bap admitiu ter errado ao não aceitar a proposta inicial.
O Flamengo também vem recusando ofertas na casa de 10 milhões de euros, aproximadamente R$ 60 milhões, pelo zagueiro João Victor.
Para a primeira janela, a diretoria pretende buscar apenas reforços livres no mercado, sem pagar pela compra de direitos econômicos. Esse modelo foi aplicado nas contratações de Jorginho e Danilo.
Custos passados e impacto nas contas
A contratação de Lucas Paquetá teve custo total de R$ 315 milhões, segundo apresentação de Bap. O dirigente afirmou que não teria feito o investimento caso soubesse que determinadas receitas previstas não se realizariam.
Bap também declarou que dois jovens da base, não identificados na reunião, poderiam ter sido negociados no meio do ano e que a venda deles teria ajudado a solucionar o problema financeiro de 2026.
Questão jurídica envolvendo o Estudiantes
A reunião abordou a disputa com o Estudiantes sobre a vaga na decisão da competição continental. O Flamengo contestou nos tribunais a participação do clube argentino, alegando suposta escalação irregular de Marcos Rojo, mas não obteve sucesso.
A diretoria informou que aguardará o fim do processo no CAS. Diante dos conselheiros, Bap qualificou a decisão da Conmebol como injusta e questionou a reação que haveria caso o Flamengo tivesse atuado de forma semelhante: "Eu tenho muitas dúvidas que se fosse o Flamengo fazendo o que o Estudiantes fez, o que o mundo estaria dizendo a respeito disso?"
Dados e números relevantes
- Revisão orçamentária: de +R$ 180 milhões para -R$ 40 milhões (diferença ~R$ 220 milhões).
- Meta de vendas: 40 a 45 milhões de euros (R$ 238 milhões a R$ 267 milhões na cotação atual).
- Venda de Wallace Yan: 6 milhões de euros (R$ 35,5 milhões).
- Oferta inicial recusada pelo Bragantino: 10 milhões de euros (~R$ 62 milhões).
- Ofertas recusadas por João Victor: aproximadamente 10 milhões de euros (~R$ 60 milhões).
- Alavancagem (dívida/EBITDA recorrente): 1,2x (era 1,8x em dezembro de 2024).
- Custo total da contratação de Paquetá: R$ 315 milhões.
Análise de impacto para o Flamengo
A combinação de receitas não realizadas e custos elevados reduz a margem de manobra do clube. A revisão para um resultado negativo em 2026 força um ajuste rápido no fluxo de caixa. A orientação da Comissão de Finanças por cortes de gastos e aumento de vendas sinaliza risco de contenção em outras áreas do clube.
A meta de 40–45 milhões de euros em vendas mostra dependência de negócios no mercado para equilibrar as contas. Ao mesmo tempo, a decisão de não negociar jogadores com impacto esportivo e de buscar apenas reforços livres indica tentativa de preservar competitividade do elenco, ao custo de limitar as alternativas para geração de receita via transferências.
O reconhecimento público de erro na negociação de Wallace Yan expõe fragilidade na gestão de ofertas e pode influenciar decisões futuras sobre aceitar propostas e sobre o timing de vendas.
A manutenção de índices de endividamento considerados confortáveis é um ponto positivo. A alavancagem menor que a registrada em dezembro de 2024 oferece folga operacional, mas não elimina a necessidade de ajuste imediato diante do déficit projetado.
Perspectivas e próximos passos
O Rubro-Negro deve priorizar vendas seletivas que não prejudiquem a equipe. A busca por reforços se limitará a jogadores livres, sem aquisição de direitos econômicos. Internamente, a diretoria e a Comissão de Finanças devem acompanhar de perto a execução orçamentária e as negociações para atingir a meta de receita em euros.
No plano jurídico, o clube seguirá o curso do processo no CAS sobre a disputa com o Estudiantes.
Conclusão — visão editorial
O quadro apresentado por Bap revela um momento de ajuste forçado. O Flamengo convive com receitas previstas que não se concretizaram e com custos relevantes já realizados. A margem de segurança financeira existe, segundo os números oficiais, mas não é suficiente para dispensar medidas de contenção.
A estratégia anunciada equilibra preservação esportiva e necessidade financeira: evitar vender peças centrais e buscar reforços sem custo de direitos econômicos. O sucesso desse caminho dependerá da capacidade do clube de concretizar as vendas previstas sem abrir mão da competitividade e de aprimorar a gestão de ofertas para evitar novos erros como o admitido na negociação de Wallace Yan.
Fonte: NETFLA — https://netfla.com.br/noticias/bap-projeta-2027-dificil-e-flamengo-ultraconservador-na-primeira-janela
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