Flamengo recorre após escalação de Marcos Rojo
O Flamengo acionou a Conmebol para questionar a escalação de Marcos Rojo na semifinal da Libertadores disputada no Maracanã. O clube alega que a inclusão do zagueiro pelo Estudiantes foi irregular e tenta reverter a eliminação nos tribunais. Caso obtenha sucesso, o regulamento permite a alteração do placar para 3 a 0, o que colocaria o Rubro-Negro na final da competição.
O que aconteceu com Marcos Rojo?
O Estudiantes contratou Marcos Rojo durante a disputa da Libertadores e solicitou à Conmebol a inscrição do defensor como substituto de Gabriel Neves, afastado por lesão. A entidade sul-americana rejeitou o pedido. O próprio Estudiantes confirmou oficialmente a decisão em 15 de outubro e anunciou que recorreria ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS/CAS).
Com a negativa inicial, Rojo não pôde enfrentar o Flamengo no primeiro jogo da semifinal. O Estudiantes recorreu ao TAS e pediu uma medida cautelar. Na véspera da partida de volta, o tribunal aceitou o pedido provisório e determinou a inclusão do jogador na Lista de Boa Fé da Libertadores. O Estudiantes anunciou oficialmente a decisão e escalou Rojo como titular no Maracanã.
Regulamento e prazo: o 3 a 0 e a contestação
O artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol trata da participação de jogador inelegível em partida oficial. Se for caracterizada escalação irregular, o regulamento prevê que o resultado pode ser determinado em 3 a 0 para o adversário.
O regulamento também estabelece prazo: o clube interessado deve apresentar uma contestação oficial em até 24 horas após o término da partida. O Flamengo protocolou sua manifestação dentro desse prazo.
No jogo, Flamengo e Estudiantes empataram por 0 a 0 no Maracanã, e os argentinos avançaram nos pênaltis. Uma eventual punição de 3 a 0 alteraria automaticamente o classificado para a final.
Argumento jurídico do Flamengo
O Flamengo sustenta que há diferença entre uma decisão cautelar e uma decisão definitiva sobre o mérito da inscrição. A medida cautelar concedida pelo TAS permitiu o uso provisório de Rojo enquanto a discussão sobre sua inscrição não estava encerrada.
Segundo informações divulgadas após a partida, o Rubro-Negro identificou que a decisão provisória colocaria sobre o Estudiantes a responsabilidade pela utilização do jogador enquanto o caso ainda estivesse pendente. Esse é o núcleo da contestação: não se discute apenas se Rojo constava na lista, mas se a medida cautelar o tornou definitivamente elegível.
Se prevalecer a interpretação do Flamengo — de que a autorização era provisória e que a inscrição original permanecia irregular — o Estudiantes teria assumido o risco de utilizar o atleta. Nesse cenário, o Código Disciplinar autoriza a aplicação da derrota por 3 a 0.
Defesa do Estudiantes
O Estudiantes tem argumento forte: Marcos Rojo entrou em campo amparado por uma ordem vigente do Tribunal Arbitral do Esporte. Ou seja, o clube argentino pode sustentar que não escalou deliberadamente um atleta proibido de jogar. O clube buscou a Justiça esportiva, obteve medida cautelar e recebeu autorização para incluir Rojo na Lista de Boa Fé antes da partida.
Esse ponto diferencia o caso das tradicionais escalações irregulares, em que um clube coloca em campo um jogador suspenso ou claramente impedido de atuar. A existência do artigo que prevê o 3 a 0 não torna automática a vitória do Flamengo no processo.
Sequência de fatos que sustentam a ação do Flamengo
A argumentação do Flamengo ganha força por causa da sequência incomum de acontecimentos: a Conmebol negou inicialmente a inscrição; o Estudiantes recorreu ao TAS; o tribunal concedeu medida cautelar — não decisão de mérito; Rojo foi escalado; e agora o Flamengo questiona os efeitos dessa autorização provisória.
O ponto central do processo será avaliar qual era exatamente o status de elegibilidade de Marcos Rojo no momento da partida e quem assumia o risco de sua utilização.
Consequências para o Flamengo
Se a Conmebol — ou posteriormente o próprio TAS, caso o processo volte ao tribunal — entender que Marcos Rojo não era elegível apesar da autorização cautelar e que o Estudiantes assumiu o risco ao utilizá-lo, o Código Disciplinar permite a aplicação da derrota por 3 a 0. Nesse caso, o Flamengo herdaria a classificação para a final da Libertadores.
Por outro lado, se for considerado que a medida cautelar do TAS era suficiente para tornar Rojo elegível para aquela partida, a classificação do Estudiantes será mantida. Assim, o futuro imediato do Rubro-Negro na competição depende da interpretação jurídica sobre a medida cautelar.
Cenários futuros
Existem, portanto, dois cenários possíveis, ambos previstos no trâmite jurídico descrito: aplicação da derrota por 3 a 0 e ida do Flamengo à final; ou manutenção do resultado esportivo com o Estudiantes confirmado como finalista. O caso ainda precisará ser julgado pelas instâncias competentes.
Conclusão editorial
O recurso do Flamengo não se resume a uma tentativa pós-eliminação. Há uma controvérsia jurídica concreta sobre os efeitos de uma medida cautelar do TAS e sobre quem assumia o risco pela utilização de Marcos Rojo. A decisão dependerá da interpretação do regulamento e da avaliação das instâncias responsáveis. Até que haja um pronunciamento definitivo, a vaga na final da Libertadores permanece em disputa judicial, e a definição pode não vir apenas dentro de campo.
Fonte: NETFLA — https://netfla.com.br/noticias/flamengo-ainda-pode-ir-final-libertadores-caso-marcos-rojo
