Flamengo: Paquetá e suas chances na Copa do Mundo
Zico fez um alerta claro e direto sobre a condição atual de Lucas Paquetá e suas chances de integrar a lista final da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. Em participação no videocast "Toca e Passa", do jornal O Globo, o maior ídolo do Rubro-Negro avaliou tanto a utilização do meia no clube quanto na seleção e apontou como central a questão da função em campo: se mantido como jogador de lado com exigências defensivas, Paquetá tende a perder competitividade; se posicionado no centro com liberdade ofensiva, suas chances aumentam substancialmente. A partir dessa avaliação — e dos ajustes táticos recentemente promovidos por Leonardo Jardim no Flamengo — emergem cenários decisivos para o futuro imediato do jogador e impactos diretos para o clube na sequência da temporada.
Síntese do alerta de Zico
Zico sustenta que o principal problema hoje é o enquadramento funcional de Paquetá. Segundo ele, o meia revela o seu melhor futebol quando atua próximo à área, um espaço onde toma decisões com capacidade finalizadora — exatamente a posição em que atuava quando convocado para a Seleção Brasileira. O ídolo rubro-negro foi enfático ao afirmar que Paquetá "não é jogador para voltar, dar combate, nunca foi" e lembrou do início da carreira do jogador na Copa São Paulo, quando apareceu como solução ofensiva: "botando os caras na cara do gol, chegando, fazendo gol". Diante da forte concorrência por vagas na equipe nacional, Zico conclui que, se Paquetá continuar sendo escalado como jogador de lado com obrigações defensivas, a tendência é de exclusão da lista final; no meio, porém, "a história é outra".
Contexto e background
A avaliação de Zico chega em um momento em que Lucas Paquetá voltou ao Flamengo após período sem convocação para a Seleção e realizou o primeiro ciclo de treinos mais longo sob comando de Leonardo Jardim. O treinador já testou o meia pelo lado direito em partidas recentes, mas fez adaptações táticas para permitir que Paquetá se movimente para dentro do campo e atue com liberdade, aproximando-se da área adversária. Jardim descreveu o ajuste com clareza: ao ocupar o corredor, o lateral libera o espaço exterior para que o meia parta do lado para dentro, ocupando uma função que o aproxima de um segundo atacante. A organização estratégica, segundo o treinador, é condição para o sucesso desse modelo.
Ao mesmo tempo, o calendário rubro-negro traz uma janela de oportunidade e pressão: a partir de quinta-feira (2), quando o Flamengo enfrenta o Bragantino, Paquetá terá pela frente uma sequência de 18 partidas na qual poderá provar ao treinador da Seleção — identificado na transcrição como Ancelotti — que merece uma vaga na Copa do Mundo. Essa maratona de jogos coloca em evidência o papel do clube como vitrine e a responsabilidade do departamento técnico na maximização do rendimento do meia.
Dados e estatísticas relevantes (conforme a transcrição)
- Período de maratona: 18 partidas a partir do confronto com o Bragantino, na quinta-feira (2). Esse ciclo é apontado no texto como janela para convencer a comissão técnica da seleção.
- Utilização tática: Jardim já escalou Paquetá pelo lado direito, com adaptações de posicionamento para que o atleta parta para dentro; o lateral passa a ocupar o corredor para manter amplitude.
- Histórico de função: Paquetá atuou, quando convocado para a Seleção Brasileira, em posição central próxima à área, função que Zico considera a mais produtiva para o meia.
- Ausência na convocação: Paquetá ficou fora da lista de convocados para as últimas convocações do Brasil, conforme citado na transcrição.
Esses pontos, embora sintéticos, formam a base factual a partir da qual se constrói a análise tática e as projeções para os próximos meses.
Análise tática: função, adaptações e rendimento
A discussão central orbitando a carreira imediata de Paquetá é funcional: jogador de meio-campo central com vocação ofensiva ou jogador de lado com responsabilidades defensivas? Zico e Jardim oferecem, na transcrição, duas abordagens complementares. Zico defende o retorno do meia a uma posição em que atue mais próximo da área, receba em zonas de decisão e produza finalizações — funções inerentes a um atacante de apoio ou a um meia-ofensivo com liberdade. Jardim, por sua vez, demonstra que é possível conciliar a utilização por dentro com posicionamento inicial pelo flanco, desde que haja uma organização coletiva que permita ao meia se deslocar sem perder amplitude ofensiva. Do ponto de vista tático, essa solução exige três condições: 1) cobertura do corredor pelo lateral para não expor a equipe defensivamente; 2) mecanismos de compensação do meio-campo para manter equilíbrio quando Paquetá se projeta; 3) liberdade posicional consistente e treinada para o jogador tomar as decisões que se esperam dele na zona de conclusão.
Sem esses elementos, a transição do flanco para o centro tende a ser inócua: um jogador deslocado lateralmente e forçado a funções de combate perde tempo de bola em zonas improdutivas e não explora a capacidade de finalizar pertinho da área. Zico é incisivo ao afirmar que a insistência em encaixá-lo "nos cantos" reduz seu potencial. Jardim, por outro lado, reconhece essa limitação e diz ter trabalhado para proporcionar posicionamentos que impulsionem as características de Paquetá, afirmando estar satisfeito, com a ressalva de que é preciso organização estratégica.
Impacto para o Flamengo (consequências práticas)
A forma como o Flamengo administrar o caso Paquetá tem implicações diretas em três frentes: desempenho coletivo, mercado e relação com a Seleção Brasileira. No campo esportivo, a melhor versão de Paquetá — segundo Zico — passa por utilizá-lo em zonas de decisão; isso pode aumentar a capacidade ofensiva do time, especialmente em partidas em que falta um jogador criativo perto da área. Taticamente, a solução adotada por Jardim (lateral sobre o corredor e meia entrando por dentro) pode trazer ganhos de imprevisibilidade e mobilidade ofensiva, desde que as compensações defensivas funcionem. No aspecto institucional, transformar o Flamengo em ambiente que potencializa o jogador aumenta a visibilidade para a seleção e pode valorizar o ativo do clube, enquanto o contrário — Paquetá deslocado e com rendimento aquém — reduz sua atratividade e rendimento coletivo.
Além disso, existe um componente temporal que pressiona o Rubro-Negro: a sequência de 18 partidas representa uma janela curta e intensa para consolidar um padrão de jogo que favoreça Paquetá. Qualquer ajuste tático terá de ser implementado em competição, com menos espaço para testes prolongados. A consequência prática é que o modelo de jogo do Flamengo deverá privilegiar soluções que favoreçam o meia sem comprometer o equilíbrio defensivo, o que exige empenho coletivo e clareza de funções.
Perspectivas e cenários futuros
A partir das informações presentes, é possível delinear três cenários plausíveis, sempre tomando como base os elementos trazidos pela transcrição:
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Cenário otimista: Jardim estabiliza a organização estratégica descrita — lateral ocupando corredor, Paquetá entrando por dentro com liberdade — e o meia retoma a produção ofensiva próxima à área. Com rendimento cirúrgico no ciclo de 18 partidas, Paquetá reconquista espaço nas considerações de Ancelotti para a lista final da Copa do Mundo. Nesse caso, há ganho direto ao Flamengo em termos de produção ofensiva e valorização do jogador.
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Cenário intermediário: o time implementa parcialmente as adaptações táticas, mas a necessidade de equilíbrio defensivo limita a liberdade de Paquetá. O meia alterna atuações convincentes com jogos discretos. Ele permanece no radar da seleção, porém com chances condicionadas a lesões ou mudanças na comissão técnica da seleção.
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Cenário pessimista: persistência no uso de Paquetá como jogador de lado com obrigações defensivas leva a queda de rendimento. Zico aponta explicitamente que, nessa configuração, as chances na Copa do Mundo diminuem. Para o Flamengo, isso representa dupla perda: menor produção ofensiva e redução do valor de mercado do atleta.
A transcrição aponta que a concorrência na Seleção é "muito grande"; esse fator torna a margem de erro estreita. Por isso, a execução tática e a continuidade de desempenho nas próximas 18 partidas serão determinantes.
Conclusão editorial
A fala de Zico transparência um princípio básico do futebol de alto nível: a função que o jogador desempenha em campo determina, em larga medida, seu valor coletivo e individual. No caso de Lucas Paquetá, a tensão entre perfil técnico e demandas táticas revela-se um problema que pode ser resolvido por organização estratégica — exatamente a alternativa que Leonardo Jardim aponta ter buscado ao adaptar o esquema para permitir o movimento interior do meia. A janela de 18 partidas coloca o Flamengo diante de um desafio logístico e esportivo: calibrar um modelo que maximize a capacidade finalizadora de Paquetá sem comprometer o equilíbrio defensivo do time.
Se o Rubro-Negro conseguir traduzir em jogos a ideia de Jardim — com coordenação entre lateral, meio-campo e o próprio Paquetá —, aumenta-se a probabilidade de o jogador recuperar a veia ofensiva observada quando despontou na Copa São Paulo e, consequentemente, de reentrar nas conversas para a Copa do Mundo. Caso contrário, confirma-se a leitura de Zico: fora da posição central, na qual toma decisões perto da área, as chances do meia se aproximarem da lista final se reduzirão.
O desfecho dependerá menos de vontades individuais e mais da capacidade do clube em estruturar funções e voltear o rendimento coletivo em torno do talento de Paquetá. Para o Mengão, transformar potencial em produção efetiva é uma equação essencial neste momento, tanto para a ambição doméstica no Campeonato Brasileiro quanto para a projeção internacional do atleta.
Fonte: MundoBola Fla — https://fla.mundobola.com/zico-faz-alerta-sincero-sobre-chances-lucas-paqueta-disputar-copa-do-mundo/
