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Análise8 min de leitura

Flamengo líder digital nas Américas

Por Thiago Andrade

Flamengo é o clube mais seguido da América com 71,6 milhões de inscritos nas cinco principais redes, segundo o levantamento do CIES (maio de 2026).

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Flamengo: estádio com torcida sem faces, smartphone exibindo 71,6M seguidores e ícones de redes sociais, celebração do líder digital

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Flamengo é o clube mais seguido da América e 15º no mundo

O dado mais relevante do levantamento do CIES Football Observatory, publicado em maio de 2026, mostra o Flamengo como o clube com maior número de seguidores acumulados nas cinco principais plataformas digitais (Facebook, Instagram, TikTok, X e YouTube) em toda a América, ocupando a 15ª posição no ranking mundial com 71,6 milhões de inscrições. Esse número coloca o Rubro-Negro à frente de qualquer outro clube fora da Europa e reforça a dimensão digital da marca, mas também evidencia o desafio de transformar essa predominância continental em presença global efetiva.

Ao contrário do que indicaria uma leitura superficial, a soma de 71,6 milhões não representa 71,6 milhões de pessoas distintas: trata-se da soma das inscrições nas cinco plataformas, o que significa sobreposição entre perfis do mesmo usuário. Ainda assim, como indicador de escala da presença digital, o total alcançado pelo Flamengo é um ativo relevante para seu posicionamento comercial e para o potencial de monetização da audiência.

Contexto e recorte metodológico do estudo

O levantamento do CIES considerou contas oficiais dos clubes nas plataformas citadas e utilizou dados atualizados até maio de 2026. No panorama global, o top do ranking segue dominado por gigantes europeus: Real Madrid (487,6 milhões), Barcelona (441,8 milhões) e Manchester United (238,6 milhões) lideram com larga vantagem. Em seguida aparecem Paris Saint-Germain, Manchester City, Juventus, Liverpool, Bayern de Munique, Chelsea e Arsenal no top 10. Depois vêm Tottenham, Atlético de Madrid, Milan e Inter de Milão, e somente então surge o Flamengo, fechando as 15 primeiras posições.

O recorte metodológico é essencial para interpretar os números. O próprio CIES e levantamentos posteriores, como o Ranking Digital dos Clubes Brasileiros do IBOPE Repucom, adotaram critérios e janelas temporais diferentes: o CIES trouxe números até maio, enquanto o IBOPE coletou em 31 de julho e apontou aproximadamente 67,9 milhões de seguidores para o Flamengo. Diferenças na captura, atualização das plataformas, tratamento de contas e critérios explicam essa distância entre 71,6 milhões e 67,9 milhões, de modo que não é correto concluir que houve perda massiva de inscritos entre maio e julho — trata-se de retratos distintos produzidos por metodologias diferentes.

Dados e estatísticas relevantes

Alguns números do levantamento ajudam a dimensionar a situação do Flamengo em relação a concorrentes internacionais e nacionais:

  • Total de inscrições acumuladas apontado pelo CIES (maio/2026): Flamengo 71,6 milhões.
  • Clubes não europeus mais próximos no ranking: Al-Nassr (Arábia Saudita) com 66 milhões; Al-Ahly (Egito) com 60,1 milhões.
  • Principais clubes europeus do ranking: Real Madrid 487,6 milhões; Barcelona 441,8 milhões; Manchester United 238,6 milhões.
  • Arsenal tinha 114,1 milhões no momento da pesquisa — referência para a dificuldade de ingressar no top 10.
  • No Brasil, além do Flamengo, há outros representantes: Corinthians 22º com 43,1 milhões; Santos 32º; Palmeiras 36º; São Paulo 39º; Vasco 55º. O Brasil soma 11 clubes entre os 100 primeiros.
  • Nas plataformas analisadas, a distribuição da audiência acumulada entre os clubes foi: Instagram 31%, Facebook 31%, TikTok 17%, X 16% e YouTube 5%.
  • Em termos de crescimento no primeiro semestre de 2026, o Santos adicionou 1,6 milhão de inscrições, enquanto o Flamengo acrescentou 1,2 milhão segundo o IBOPE Repucom.

Esses números compõem um retrato que combina escala doméstica (base concentrada no Brasil e nas Américas) e a distância para as maiores marcas globais, que somam centenas de milhões de seguidores.

Análise: o que significa ser o primeiro fora da Europa

A presença do Flamengo no 15º lugar revela duas leituras complementares. A primeira é positiva: trata-se de um sucesso considerável para um clube que não disputa continuamente as plataformas de visibilidade global oferecidas pelas principais competições europeias. Estar à frente de qualquer outro clube de América, Ásia ou África no levantamento mostra a força da marca rubro-negra em sua região e indica uma escala de audiência que nenhuma outra instituição do continente presente no estudo alcançou.

A segunda leitura traz a dimensão do desafio. As marcas europeias que ocupam as primeiras posições construíram audiências globais ao longo de décadas, por meio de participações constantes em competições internacionais, exposição televisiva quase permanente, transferências e presença de jogadores mundialmente conhecidos, turnês e estratégias comerciais internacionais. Essas são variáveis que, segundo o próprio estudo, explicam por que Real Madrid, Barcelona e Manchester United estão muito à frente. Para o Flamengo, a transição de uma imensa base doméstica para uma presença verdadeiramente global exige continuidade e escolhas estratégicas específicas — e não apenas resultados isolados em torneios ou campanhas pontuais fora do país.

Impacto para o Flamengo: ativo digital e desafios de conversão

O tamanho da comunidade digital é, explicitamente, um ativo comercial. Uma base próxima a 70 milhões de inscrições amplia inventário para patrocinadores, potencial de distribuição de conteúdo, capacidade de venda de produtos e o alcance direto do clube junto ao público, reduzindo a dependência exclusiva da mídia tradicional. Além disso, o CIES e o IBOPE confirmam que o Flamengo lidera as cinco plataformas monitoradas segundo o ranking nacional, o que indica força multicanal.

Entretanto, o estudo e a análise subsequente ressaltam limites importantes. Seguidores não equivalem automaticamente a alcance, engajamento, visualizações ou receita. Um perfil com muitos inscritos pode entregar menos audiência proporcional do que outro menor. Assim, métricas como consumo de vídeos, interações, tempo de exibição, frequência de acesso e localização geográfica são cruciais para transformar escala em influência efetiva e em retorno econômico. O Flamengo, portanto, passa a ter diante de si a tarefa de gerir esse ativo de forma mais sofisticada: mensurar e otimizar conversão de seguidores em audiência efetiva, em receita e em experiência de marca.

Estratégias apontadas e comparações táticas históricas

O texto do levantamento indica caminhos necessários para a internacionalização da presença digital do Flamengo, com comparações implícitas à trajetória das marcas europeias. Entre as ações mencionadas estão:

  • Produzir conteúdo direcionado a novos mercados, incluindo adaptações de idioma;
  • Aproveitar a presença de jogadores estrangeiros como ponte para audiências externas;
  • Construir parcerias internacionais e promover experiências e turnês fora do país;
  • Manter presença recorrente em mercados onde a camisa rubro-negra ainda não é consumo cotidiano.

Historicamente, clubes europeus consolidaram audiências globais com repetição sistemática desses mesmos elementos: presença em competições que atraem audiência global, exposição de jogadores consagrados, investimentos em distribuição de conteúdo e rotinas comerciais de longo prazo. O Flamengo tem a vantagem de uma base doméstica que poucos clubes replicam, mas precisa transformar essa vantagem em estratégia padronizada e contínua para reduzir a distância para o grupo mais internacionalizado do futebol.

Taticamente, a diferença é entre campanhas pontuais e presença contínua. Uma turnê ou um jogo em um torneio internacional gera picos de atenção; o que constrói multidões globais é a repetição sistemática de sinais de presença — conteúdo em línguas locais, parcerias com influenciadores e clubes regionais, jogadores com apelo internacional e distribuição contínua em plataformas locais. Sem sair do que consta na transcrição, fica claro que o salto ao top 10 não depende apenas do crescimento natural das redes sociais do Flamengo, mas da capacidade de acelerar a internacionalização em velocidade superior à de concorrentes que também ampliam suas comunidades digitais.

Perspectivas e cenários futuros

A partir das informações do CIES e do IBOPE, podem-se delinear cenários possíveis, respeitando os limites dos dados apresentados. Um cenário conservador é o de manutenção da liderança nas Américas e crescimento gradual no ranking mundial, mas sem rompimento da barreira que separa o Rubro-Negro do top 10, dada a vantagem numérica que clubes europeus detêm. Um cenário mais ambicioso — e que o texto deixa implícito como possível — passa por o Flamengo investir de forma continuada em internacionalização de conteúdo, parcerias e presença física, de modo a conquistar público fora do mercado tradicional em velocidade superior à média dos concorrentes.

O estudo também mostra espaço para avanços em qualidade de audiência: aumentar engajamento, tempo de exibição e conversão comercial pode representar ganhos econômicos maiores do que puro crescimento de seguidores. Portanto, além de perseguir números absolutos, o Rubro-Negro deveria, conforme a lógica do levantamento, priorizar métricas de consumo e monetização.

Conclusão: visão editorial equilibrada

O levantamento do CIES confirma algo que já se intuía: o Flamengo detém uma presença digital de escala continental, com 71,6 milhões de inscrições somadas nas cinco principais plataformas em maio de 2026, sendo o primeiro clube fora da Europa no ranking global. Esse número é ao mesmo tempo uma carta de apresentação comercial e um ponto de partida para uma estratégia mais ambiciosa. O desafio não é apenas somar seguidores, mas convertê-los em audiência real e em receita sustentável; não é apenas disputar posições no ranking, mas construir presença contínua em novos mercados, como fizeram as grandes marcas europeias ao longo de décadas.

A realidade dos números — incluindo as diferenças metodológicas entre CIES e IBOPE — recomenda cautela na leitura dos totais, mas não diminui a conclusão central: o Flamengo possui um ativo digital gigantesco que precisa ser gerido com foco em conversão, internacionalização continuada e aprofundamento do relacionamento com audiências fora do seu núcleo tradicional. Se o clube conseguir articular essas frentes com consistência, o salto para posições ainda mais altas no ranking mundial será uma consequência plausível. Caso contrário, a vantagem continuará sendo expressiva na América, mas limitada diante das estruturas globais consolidadas dos grandes clubes europeus.

Fonte: Ser Flamengo — https://serflamengo.com.br/flamengo-e-o-clube-mais-seguido-da-america-e-ocupa-15o-lugar-no-ranking-mundial/

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