Flamengo avança no ranking mundial de base e desafia rivais
O Flamengo aparece como a 17ª categoria de base mais lucrativa do futebol mundial na última década, segundo estudo do CIES Football Observatory que analisou o período entre julho de 2016 e julho de 2026. Com receitas de 285 milhões de euros obtidas com a venda de jogadores formados no Ninho do Urubu, o Rubro-Negro supera clubes de peso europeus como Manchester United, Arsenal, Bayern de Munique e Atlético de Madrid. A informação abre o debate sobre o papel da base do Flamengo como uma das principais alavancas financeiras do clube e sobre os riscos e oportunidades desse modelo de negócio.
Principais achados imediatos
- Receita total do Flamengo (2016–2026): 285 milhões de euros, 17ª posição mundial no ranking do CIES.
- Venda mais representativa: Vinícius Júnior, que responde por 16% do montante da década.
- Comparativo nacional: Palmeiras lidera no Brasil com 356 milhões de euros (9º lugar mundial).
- Ritmo das últimas vendas (últimos cinco anos): Flamengo arrecadou 144 milhões de euros (~50% do total da década); Palmeiras arrecadou 289 milhões de euros (81% do total alviverde).
Esses pontos sintetizam por que o estudo chama atenção: embora o Flamengo figure entre os maiores exportadores de talentos, há sinais claros de que a dinâmica das vendas mudou, com concorrentes domésticos ganhando força de forma acelerada.
Contexto e background: o cenário da última década
O levantamento do CIES mapeia as 100 categorias de base que mais faturaram na última década, revelando um panorama global em que clubes tradicionais europeus dominam o topo, mas clubes sul-americanos — notadamente Benfica, Ajax e Palmeiras — também figuram com números relevantes. O Benfica lidera com 589 milhões de euros, seguido por Ajax (454) e Chelsea (442). No contexto brasileiro, o Palmeiras aparece em 9º no mundo com 356 milhões, à frente do Flamengo.
Para o Flamengo, o período é marcado por vendas de alto impacto, com Vinícius Júnior configurando o principal destaque financeiro da década e representando 16% de toda a receita da base no intervalo analisado. Esse fenômeno de um “efeito Vinícius Júnior” espelha uma característica do mercado: grandes operações individuais podem redesenhar o ranking de um clube, como exemplificado pelo Monaco, cuja venda de Kylian Mbappé representa 48% do rendimento total da base daquele clube no mesmo período.
Dados e estatísticas relevantes — comparações numéricas
O ranking apresentado pelo CIES oferece um quadro numérico preciso para comparar o Flamengo com seus concorrentes:
- Benfica: 589 M€ (1º)
- Ajax: 454 M€ (2º)
- Chelsea: 442 M€ (3º)
- Mônaco: 433 M€ (4º) — Mbappé responde por 48% do total
- Sporting CP: 406 M€ (5º)
- Real Madrid: 374 M€ (6º)
- Lyon: 363 M€ (7º)
- Manchester City: 363 M€ (8º)
- Palmeiras: 356 M€ (9º)
- Bayer Leverkusen: 344 M€ (10º)
- Porto: 338 M€ (11º)
- Atalanta: 335 M€ (12º)
- RB Salzburg: 331 M€ (13º)
- PSV Eindhoven: 321 M€ (14º)
- Borussia Dortmund: 316 M€ (15º)
- Tottenham: 291 M€ (16º)
- Flamengo: 285 M€ (17º)
Destaques numéricos para o mercado brasileiro: o Palmeiras alcançou 356 M€, sendo que 289 M€ (81% do total do clube no período) ocorreram nos últimos cinco anos, impulsionados especialmente pela venda de Endrick, que representa 17% do faturamento do Palmeiras no recorte de uma década. Em comparação, o Flamengo obteve 144 M€ nos últimos cinco anos, aproximadamente metade do total da década (50%). A diferença absoluta entre Palmeiras e Flamengo no total da década é de 71 milhões de euros (356 M€ menos 285 M€).
Análise de impacto para o Flamengo
As implicações para o Rubro-Negro são múltiplas e exigem leitura estratégica. Primeiro, o dado evidencia que a base do Flamengo é uma fonte consistente de receitas de transferência, mas também revela uma dependência notável de vendas de grande valor agregado — o “efeito Vini Jr”. Com 16% do total vindo da venda de um único atleta, o clube demonstra sensibilidade a operações excepcionais. Esse padrão tem vantagens e riscos: um super craque pode elevar de forma expressiva o faturamento pontual, mas criar volatilidade se não houver um fluxo constante de vendas de médio e alto valor.
Segundo, o ritmo desacelerado das receitas do Flamengo nos últimos cinco anos (144 M€) em relação ao rival Palmeiras (289 M€ no mesmo período) sugere perda de capacidade de geração de receitas via transferências recentemente, pelo menos em termos absolutos. Isso pode se refletir em menor margem para investimentos diretos no elenco ou em infraestrutura se o clube mantiver um patamar de despesas que pressupõe um fluxo de caixa de vendas mais elevado.
Terceiro, superar gigantes europeus em um ranking global é relevante para a marca e a projeção internacional do clube. Estar à frente de Manchester United, Bayern de Munique e Arsenal no critério específico de receita gerada pela base fortalece a imagem do Flamengo como exportador de talentos, o que pode facilitar negociações futuras e atrair parceiros internacionais. Ao mesmo tempo, a posição 17ª mostra que há um teto econômico a ser escalado se a meta for disputar com os clubes do topo europeu, cujos volumes são, em muitos casos, o dobro ou o triplo do montante flamenguista (Benfica 589 M€, Ajax 454 M€).
Perspectivas e cenários futuros
Com base nos números fornecidos pelo CIES, dois cenários substanciais emergem para o Flamengo nos próximos cinco anos:
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Cenário de continuidade conservadora: se o clube mantiver um ritmo semelhante ao dos últimos cinco anos (aprox. 144 M€ por cinco anos), o total da década seguinte crescerá de forma incremental, mas provavelmente não suficiente para recuperar a liderança sul-americana em receitas de base frente a um Palmeiras que acelerou vendas. Nesse cenário, o clube permanece competitivo na exportação de talentos, mas sem o salto qualitative necessário para alcançar os clubes do topo europeu.
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Cenário de retomada acelerada: se o Flamengo conseguir combinar aproveitamento técnico dos jovens no elenco profissional e uma política comercial mais agressiva de transferências, é plausível restabelecer um fluxo maior de receitas. O estudo indica que esse é o desafio explícito para os próximos cinco anos: equilibrar utilização técnica e manutenção do fluxo de vendas. A realização desse equilíbrio poderia converter o Rubro-Negro novamente em líder regional e aproximá-lo dos valores dos grandes formadores europeus.
Ambos cenários dependem de variáveis não quantificadas no relatório, como políticas de retenção, valorização técnica dos atletas, estrutura de scouting e condições de mercado internacional. O relatório do CIES destaca a necessidade de se evitar a dependência excessiva de vendas isoladas, como a de Vinícius Júnior, e buscar uma estratégia mais contínua e diversificada de monetização.
Conclusão — visão editorial
O levantamento do CIES coloca o Flamengo em posição de destaque global quanto ao valor gerado pela sua base: 285 milhões de euros na última década é um resultado relevante e que traduz a eficiência do Ninho do Urubu como plataforma de formação e venda de talentos. Ao mesmo tempo, os números acendem um alerta estratégico. A comparação com o Palmeiras, que acumulou 356 milhões de euros e acelerou de forma significativa nos últimos cinco anos, revela que o Rubro-Negro precisa ajustar sua equação entre desenvolvimento esportivo e exploração comercial. A dependência de vendas de grande impacto, exemplificada por Vinícius Júnior representando 16% do total, é uma faca de dois gumes — valiosa no curto prazo, arriscada se não houver um fluxo contínuo de operações.
O desafio explicitado pelo próprio estudo é claro: nos próximos cinco anos, o Flamengo terá de encontrar o ponto de equilíbrio entre usar a base para reforçar o elenco profissional e manter um ritmo de vendas que sustente a competitividade financeira do clube. A escolha entre priorizar aproveitamento esportivo imediato ou valorizar ativos para venda será determinante para a trajetória do clube no ranking global e para sua capacidade de investimento no curto e médio prazo.
Fonte: MundoBola Fla — https://fla.mundobola.com/flamengo-deixa-bayern-de-munique-e-arsenal-para-tras-em-ranking-de-faturamento-com-a-base/
