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Bastidores7 min de leitura

Flamengo: BAP revela grupo e elogia Jardim

Por Camila Souza

BAP revela grupo de WhatsApp do Flamengo e elogia Leonardo Jardim; entenda a comunicação entre presidente, técnico e direção.

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Ilustração editorial: estádio do Flamengo à noite, silhuetas de BAP e do técnico Jardim, celular com grupo de WhatsApp e quadro tático.

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BAP revela rede de comunicação e compara Jardim a Jorge Jesus

Em entrevista à FlamengoTV na tarde de 27/03/2026, o presidente Luiz Eduardo Baptista (BAP) abriu com detalhes o funcionamento da engrenagem do departamento de futebol e reforçou apoio tático e filosófico ao técnico Leonardo Jardim. As declarações mais relevantes foram duas: a existência de um canal direto de comunicação com a comissão técnica — "Eu tenho um grupo de WhatsApp, né? Eu, Leonardo e Boto" — e a comparação explícita entre Jardim e o "Mister de 2019": "Ele tem coisas de Jorge Jesus? Tem. Eles vêm de uma escola parecida", afirmou o dirigente.

As informações repercutiram de imediato entre os torcedores do Rubro-Negro e voltaram a colocar na pauta a presença ativa da presidência no cotidiano do Ninho do Urubu. BAP descreveu uma rotina de contato permanente — "o fato de você não estar fisicamente lá, não significa dizer que você não tenha contato com eles 24 horas por sete" — e deu um exemplo prático dessa influência: usou sua intervenção para antecipar um voo da equipe para São Paulo, demonstrando que a gestão atua em tempo real para resolver necessidades operacionais.

Contexto: gestão, tecnologia e proteção do elenco

BAP detalhou o uso da tecnologia no dia a dia do clube e ressaltou que a ausência física em alguns dias não reduz a capacidade decisória da presidência. A criação e manutenção do grupo de WhatsApp com a comissão técnica foi apresentada como um mecanismo de blindagem do elenco e de antecipação de soluções rápidas: "Essa troca constante de mensagens serve para blindar o elenco e antecipar soluções rápidas. Tendo necessidade, eu estou absolutamente disponível", disse o dirigente.

No cenário interno do Flamengo, essa dinâmica sugere uma cadeia de decisão mais ágil e com menos burocracia, com o mandatário disposto a atuar em ambiente contínuo de comunicação com o treinador e a direção técnica. Nas palavras de BAP, a interlocução é operacional e estratégica, permitindo intervenções de logística (como a antecipação do voo) e alinhamento de filosofia de trabalho.

A rotina no Ninho do Urubu e a cultura de resposta rápida

O relato do presidente deixa claro que a proteção ao grupo e a rapidez de resposta são prioridades da gestão. O canal direto — composto nominalmente por BAP, Leonardo e "Boto" — funciona como um atalho para decisões que, tradicionalmente, poderiam demandar deslocamentos ou processos mais lentos. A promoção dessa rotina cria tanto benefícios operacionais quanto uma responsabilidade política maior sobre as decisões tomadas por esse núcleo.

Comparação tática: Jardim e a escola portuguesa vs. Jorge Jesus (Mister de 2019)

O ponto tático da fala de BAP foi incisivo e relevante: ao ser questionado sobre semelhanças entre Leonardo Jardim e Jorge Jesus, o presidente não somente reconheceu sobreposições, como explicitou elementos técnicos que justificam a analogia. Segundo BAP, ambos compartilham uma "inspiração nessa coisa da transição mais rápida, de você ter sistema de ataque, de defesa, do time mais compacto".

Do ponto de vista tático, as referências citadas na entrevista — transição rápida, equipe compacta, sistema coletivo de ataque e defesa — desenham um perfil de jogo que prioriza organização estrutural sobre a dependência absoluta em talentos individuais. A ênfase em transição aponta para um modelo moderno, onde a precisão nas fases de recuperação e os espaçamentos curtos podem gerar superioridade numérica nos momentos críticos. Já a ênfase no time "mais compacto" indica uma busca por menores distâncias entre linhas, facilitando a recuperação de bola e a rapidez nas trocas de ritmo.

Importante destacar que essas observações partem exclusivamente das colocações do próprio BAP: ele afirmou a existência de similaridades e descreveu os traços táticos que enxerga, sem quantificar métricas ou oferecer dados estatísticos de desempenho.

Obsessão por vencer: mentalidade e pressão por resultados

Além do aspecto tático, o presidente destacou uma dimensão psicológica que, na visão dele, liga Jardim a Jorge Jesus: a aversão à derrota e a ambição desmedida por resultados. "O Jesus queria vencer a qualquer preço, o Leonardo também quer. Então, ah, o jogo é em casa ou fora? O cara quer ganhar, isso é importante", disse BAP.

Essa declaração traduz uma linha de tolerância baixa a resultados pragmáticos, como empates fora de casa — uma postura criticada por BAP: ele apontou que treinadores que se contentam com empates fora "são criticáveis" e endossou a filosofia ofensiva de Jardim: "Não vai ganhar sempre, mas eu me sinto absolutamente representado por ele. Eu quero ganhar absolutamente tudo".

No plano interno, a adesão explícita da presidência a um futebol agressivo e orientado à vitória terá consequências práticas: maior proteção pública do comando técnico, pressão por escolhas táticas que visem os três pontos e possivelmente menos espaço para estratégias ultradefensivas em confrontos de alto risco. A reação adversária é imediata: rivais passarão a medir não só o estilo de jogo, mas também a consistência do Flamengo em sustentar tal postura ao longo de uma temporada.

Impacto para o Flamengo: decisões, comunicação e cultura de clube

A narrativa construída por BAP consolida a imagem de uma presidência presente e interventora, com canais de comunicação fechados e preparados para respostas rápidas. Para o Rubro-Negro, isso significa que decisões logísticas e estratégias de curto prazo poderão ser tomadas com agilidade, reduzindo atritos operacionais e potencialmente blindando o técnico em momentos de crise. Ao mesmo tempo, a ênfase na mentalidade vencedora e na similaridade tática com o "Mister de 2019" indica uma expectativa alta por resultado e por um padrão de jogo que privilegia transição e compactação.

Essa conjunção entre rapidez decisória, apoio público e um perfil tático definido tem dois desdobramentos práticos imediatos: (1) a comissão técnica receberá respaldo institucional para implementar uma identidade de jogo ambiciosa; (2) a margem de erro tende a ser menor diante da cobrança por resultados que BAP declarou apoiar.

Perspectivas e cenários futuros

Com base nas declarações do presidente, alguns cenários plausíveis emergem sem extrapolar os fatos divulgados. Primeiro, a manutenção do grupo de WhatsApp como instrumento permanente de interlocução pode institucionalizar uma prática de intervenção direta da presidência em assuntos operacionais e táticos, com ganhos em velocidade de solução e risco de politização de decisões técnicas. Segundo, o endosso público à filosofia de Jardim — tanto taticamente quanto em termos de mentalidade vencedora — sugere que a gestão estará ao lado do treinador em momentos de contestação, contanto que o padrão de jogo e a ambição por vitórias permaneçam evidentes.

BAP foi categórico: "Tendo necessidade, eu estou absolutamente disponível". Essa disponibilidade traduz um compromisso que pode amplificar a estabilidade política do comando técnico, mas também aumenta a responsabilidade do treinador por resultados alinhados à filosofia defendida pela presidência.

Conclusão editorial

A entrevista trouxe à luz duas linhas centrais do momento do Flamengo: a operacionalização da gestão por meio de comunicação direta com a comissão técnica e a sustentação de uma filosofia de jogo ambiciosa, firmada por analogia com o "Mister de 2019". A combinação entre agilidade nas decisões e exigência por intensidade e vitórias projeta um Flamengo que quer impor identidade e pressão por resultados. Ao mesmo tempo, cria uma arena de responsabilidade elevada para o treinador e a direção técnica, que agora contam com suporte expresso da presidência, mas também com expectativa clara de manutenção de um padrão tático e mental que privilegia a vitória.

A leitura final é de um Rubro-Negro com comando conectado, que escolhe proteção institucional ao trabalho do técnico e define, publicamente, uma ambição sem concessões: "Eu quero ganhar absolutamente tudo". Como esse modelo será sustentado ao longo da temporada dependerá da capacidade do treinador de transformar essa filosofia em consistência tática e de resultado, mantendo a coesão do elenco sob a lógica de transição rápida, compactação e pressão por vitórias descrita por BAP.

Fonte: MundoBola Fla — https://fla.mundobola.com/bastidores-da-gavea-bap-revela-grupo-de-whatsapp-com-comissao-e-compara-jardim-a-jorge-jesus/

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