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Benfica criticado por campanha com estereótipo racial

Por Thiago Andrade

Benfica é criticado por campanha publicitária com estereótipo racial; vídeo da nova camisa gerou críticas após caso de injúria racial.

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Ilustração editorial de estádio com painel publicitário rasgado e multidão protestando contra estereótipo racial.

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Benfica lança campanha criticada por estereótipo racial em momento sensível

O Benfica, em parceria com a Adidas, divulgou um vídeo promocional de sua nova camisa que foi amplamente criticado por reforçar estereótipos raciais. A peça, divulgada dias após o caso de injúria racial envolvendo o argentino Prestianni contra Vinícius Júnior, mostra um homem negro disfarçado de funcionário da limpeza “furtando” a camisa do clube — referência à série Lupin que, na intenção criativa, aludiria ao jogo de disfarces do protagonista. A legenda usada, “Somos suspeitos, mas gostamos muito”, intensificou o desconforto e a repercussão negativa nas redes sociais em Portugal e no Brasil.

Timing e sensibilidade: o erro estratégico

O primeiro problema identificado pela cobertura foi o timing da campanha. Num cenário já marcado por acusações de racismo no futebol europeu, a campanha foi recebida como insuficiente sensível ao contexto. A reportagem destaca que comunicação institucional não serve apenas para vender um produto, mas também para projetar valores; e, em momentos de crise, esses valores pesam mais do que conceitos criativos.

Análise simbólica: referência cultural e associação problemática

A referência a Lupin, série cujo protagonista é conhecido por disfarces e estratégias, não foi, por si só, o cerne da crítica. O ponto central foi a escolha de representar um homem negro desempenhando um ato ilícito, mesmo dentro de uma narrativa ficcional. Isso toca numa associação histórica entre negritude e criminalidade, que torna o recurso simbólico problemático no contexto atual.

Reações e relativizações preocupantes

Parte da imprensa e alguns torcedores portugueses minimizou as críticas, alegando exagero ou ausência de intenção discriminatória. A matéria ressalta que tais argumentos ignoram que o racismo não se mede pela percepção de quem não é alvo histórico da discriminação. A discussão, portanto, extrapolou o comercial e passou a questionar estruturas, mentalidades e a responsabilidade social de clubes que atuam como marcas globais.

Precedente brasileiro: o caso do Flamengo em 2016

O texto recorda um episódio semelhante com o Flamengo, também em parceria com a Adidas, quando uma campanha de 2016 com o canal Desimpedidos mostrou o cantor Nego do Borel “furtando” uma camisa do clube. Na ocasião, o uso do termo "Framengo" e a representação do artista negro oriundo de comunidade periférica encenando um ato ilícito geraram críticas e levaram à retirada do material do ar após pressão pública. A diferença apontada pela reportagem foi o contexto: no Brasil não havia um fato específico de racismo envolvendo o clube naquele momento, enquanto o vídeo do Benfica saiu logo após um episódio concreto de injúria racial.

Conclusão: comunicação como posicionamento e necessidade de revisão

A análise do Ser Flamengo defende que clubes de massa precisam ler com precisão o contexto social ao comunicarem suas marcas. Quando campanhas falham nessa leitura, medidas como retirar materiais, reconhecer erros e ajustar rotas são interpretadas como sinal de maturidade institucional e não fraqueza. No caso do Benfica, a peça publicitária reabriu um debate delicado sobre igualdade, dignidade e o peso simbólico das imagens num futebol cada vez mais global.

Fonte: Ser Flamengo — https://serflamengo.com.br/benfica-e-criticado-por-campanha-com-estereotipo-racial-apos-caso-envolvendo-vinicius-junior/

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